Sargaço no Caribe: tudo o que você precisa saber antes de viajar

 

O que você vai encontrar neste guia

  • O que é o sargaço
  • O que é o Mar de Sargaços
  • O sargaço do Caribe vem do Mar de Sargaços?
  • O que é o Grande Cinturão Atlântico de Sargaço
  • Por que existe tanto sargaço atualmente
  • Por que ele não é retirado em alto-mar
  • Como funciona a previsão do sargaço
  • Quais destinos são mais afetados
  • Existe uma melhor época para viajar?

O que é o sargaço?

O sargaço é uma alga marinha flutuante do gênero Sargassum. Ao contrário de muitas algas que vivem presas às rochas ou ao fundo do mar, ela passa toda a sua vida boiando na superfície do oceano.

Isso faz com que seja transportada por ventos e correntes marítimas por milhares de quilômetros.

Apesar de muitas pessoas associarem o sargaço a um problema ambiental, ele faz parte da natureza e existe há milhares de anos.

Em alto-mar, desempenha um papel extremamente importante para a vida marinha.

Um verdadeiro berçário do oceano

As grandes manchas de sargaço servem de abrigo para dezenas de espécies. Peixes jovens encontram proteção contra predadores, tartarugas utilizam essas áreas para alimentação e descanso, camarões, caranguejos, moluscos e pequenos organismos também vivem entre as algas.

Por isso, o sargaço é considerado um dos ecossistemas mais ricos do Atlântico.

Quando ele vira um problema?

O problema começa quando enormes quantidades chegam às praias, pois depois de encalhar na areia, o sargaço começa a se decompor. Esse processo libera gases com odor semelhante ao de ovo podre, principalmente sulfeto de hidrogênio.

Além do cheiro desagradável, grandes acúmulos dificultam o banho de mar e podem afetar temporariamente a experiência dos turistas.

É importante destacar que isso não acontece em todas as praias e nem durante o ano inteiro.

Você sabia?

O sargaço não é lixo nem poluição. Trata-se de uma alga natural. O problema é o volume excepcional que passou a chegar ao Caribe nos últimos anos.

O que é o Mar de Sargaços?

O Mar de Sargaços fica no Atlântico Norte e é uma das regiões oceânicas mais curiosas do planeta.

Diferentemente dos outros mares, ele não é delimitado por continentes, seus limites são formados por correntes oceânicas que circulam continuamente, criando uma espécie de “mar dentro do oceano”.

Foi justamente ali que os primeiros navegadores observaram enormes quantidades de sargaço flutuando, daí surgiu seu nome.

Mar de sargaço

Um ecossistema único

O Mar de Sargaços abriga centenas de espécies marinhas e algumas vivem exclusivamente nesse ambiente.

Peixes, enguias, tartarugas, aves marinhas e invertebrados utilizam a região para alimentação, reprodução e abrigo. Por esse motivo, o Mar de Sargaços é considerado uma área de enorme importância ecológica.

O sargaço do Caribe vem do Mar de Sargaços?

Essa é provavelmente a maior dúvida sobre o assunto e  a resposta surpreende muita gente.

Na maior parte dos casos, não.

Durante muitos anos, acreditava-se que o sargaço encontrado no Caribe vinha do Mar de Sargaços, mas essa teoria mudou completamente após o uso de imagens de satélite de alta resolução

Os cientistas descobriram que a maior parte das algas que chegam ao Caribe atualmente tem outra origem: o chamado Grande Cinturão Atlântico de Sargaço (Great Atlantic Sargassum Belt).

O que é o Grande Cinturão Atlântico de Sargaço?

Hoje sabemos que o principal responsável pelo fenômeno é o chamado Grande Cinturão Atlântico de Sargaço.

Trata-se de uma gigantesca faixa de algas que pode se estender por milhares de quilômetros entre a costa da África Ocidental e o norte do Brasil.

Depois de formada, essa massa é transportada pelas correntes oceânicas em direção ao Caribe, Golfo do México e costa da Flórida.

Foi somente em 2018 que pesquisadores conseguiram mapear essa estrutura de forma detalhada utilizando imagens de satélite e essa descoberta revolucionou o entendimento sobre o sargaço.

Cinturão de sargaço

Por que existe tanto sargaço atualmente?

Essa ainda é uma pergunta sem resposta definitiva. Os cientistas acreditam que vários fatores estejam atuando ao mesmo tempo, entre eles:

  • aumento da temperatura dos oceanos;
  • maior disponibilidade de nutrientes na água;
  • influência dos rios Amazonas e Congo;
  • mudanças nas correntes marítimas;
  • poeira do Deserto do Saara rica em minerais.

Nenhum desses fatores explica sozinho o fenômeno, provavelmente, o aumento do sargaço é resultado da combinação de todos eles.

Por que não retiram o sargaço antes que ele chegue ao Caribe?

Essa parece uma solução simples, mas na prática, ela é extremamente difícil, por alguns motivos:

  • O Grande Cinturão Atlântico ocupa uma área gigantesca;
  • As algas ficam espalhadas em milhares de manchas que mudam de posição diariamente;
  • Retirar o sargaço em alto-mar significaria remover também inúmeros peixes, tartarugas e outras espécies que vivem entre as algas.
  • Outro desafio é o custo, seria necessário manter uma enorme frota internacional operando continuamente em uma área equivalente a milhares de quilômetros de oceano. Hoje, essa estratégia é considerada inviável.

Como os países combatem o sargaço?

Em vez de tentar eliminar o problema em alto-mar, os países do Caribe concentram esforços próximos à costa.

As principais medidas incluem:

  • monitoramento por satélite;
  • previsão das correntes marítimas;
  • instalação de barreiras flutuantes;
  • barcos para recolher o sargaço antes que alcance a praia;
  • limpeza diária da faixa de areia.

Em muitos destinos turísticos, hotéis também realizam limpeza constante para minimizar os impactos aos hóspedes.

Todos os destinos do Caribe sofrem com o sargaço?

Esta resposta é simples: Não.

A intensidade varia bastante conforme a localização geográfica e as correntes marítimas.

De forma geral, os destinos mais afetados costumam ser:

  • Caribe Mexicano (Cancún, Playa del Carmen, Riviera Maya e Tulum);
  • República Dominicana (especialmente Punta Cana);
  • Barbados;
  • Jamaica;
  • Antígua e Barbuda;
  • Algumas ilhas das Pequenas Antilhas.

Já outros destinos costumam registrar pouca ou nenhuma presença de sargaço.

Entre eles:

  • Aruba;
  • Curaçao;
  • Bonaire;
  • San Andrés;
  • Providencia.

Isso não significa que essas ilhas nunca recebam sargaço, mas a ocorrência costuma ser muito menor.

Existe uma melhor época para viajar?

Esta resposta também é simples: Sim.

Embora o fenômeno possa ocorrer durante todo o ano, ele costuma ser mais intenso entre a primavera e o verão do Hemisfério Norte.

Ainda assim, não existe uma regra fixa.

Uma praia pode amanhecer completamente limpa em um dia e apresentar sargaço no dia seguinte, dependendo dos ventos e das correntes.

Por isso, acompanhar previsões atualizadas é sempre a melhor estratégia.

O sargaço faz mal à saúde?

Na água, o sargaço normalmente não representa risco para banhistas.

O maior incômodo acontece quando grandes quantidades permanecem acumuladas na areia por vários dias.

Durante a decomposição, ocorre a liberação de gases que podem causar desconforto pelo odor e irritação em pessoas mais sensíveis.

Por isso, destinos turísticos costumam realizar a limpeza antes que a decomposição avance.

Como acompanhar a previsão do sargaço?

Hoje existem modelos de satélite capazes de estimar a quantidade de sargaço presente no Atlântico e indicar as áreas com maior probabilidade de chegada.

Embora não sejam previsões perfeitas, elas ajudam bastante no planejamento da viagem.

No Viagem Caribe, você também pode acompanhar nosso Boletim do Sargaço, atualizado regularmente com mapas, previsões e webcams de diversos destinos.

Mitos e verdades

Mito: Todo o Caribe sofre com sargaço.

Verdade: Existem destinos onde o fenômeno é raro.

Mito: O sargaço vem do Mar de Sargaços.

Verdade: Hoje sabemos que a maior parte vem do Grande Cinturão Atlântico de Sargaço.

Mito: O Caribe fica impróprio para banho durante toda a temporada.

Verdade: A situação varia diariamente e depende da praia, dos ventos e da limpeza realizada.

Mito: Não vale a pena viajar durante a temporada.

Verdade: Com planejamento e escolha adequada do destino, milhões de turistas aproveitam o Caribe todos os anos.

Conclusão

O sargaço é um fenômeno natural que sempre fez parte do Atlântico. O que mudou nas últimas décadas foi a quantidade de algas que passou a chegar ao Caribe, impulsionada por fatores que ainda estão sendo estudados pela comunidade científica.

Apesar dos transtornos que pode causar em algumas praias, o sargaço não deve ser visto como um motivo para desistir da viagem. Com informação de qualidade, acompanhamento das previsões e escolha adequada do destino e da época do ano, é possível aproveitar o Caribe com tranquilidade.

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